4 de setembro de 2016

Simplesmente Ana Vol 2 - De Repente, Ana (de Marina Carvalho)

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"Ser princesa não é fácil, embora as pessoas façam uma ideia muito equivocada a respeito desse título. Bom, se eu estivesse do lado de fora, vendo uma garota comum passar de simples plebeia a herdeira do trono de um país como a Krósvia, imaginaria a mesma coisa." p. 304 e 305 - (Ana)

ATENÇÃO! ESSE LIVRO FAZ PARTE DE UMA TRILOGIA E PODE CONTER SPOILERS DO VOLUME ANTERIOR!

Depois de muito tempo, venho com a continuação de Simplesmente Ana. Quem leu a resenha do primeiro livro, sabe que eu amei trajetória da Ana - desde a descoberta de ser filha do rei da Krósvia até o desenrolar do romance fofo com o Alex. Tanto que eu custei ler a sequência, porque não queria que minhas impressões dessa história maravilhosa diminuíssem. Mas já deixo registrado que, embora tenha tenha gostado de De Repente, não foi uma leitura ótima.

Dessa vez, Ana é designada a ocupar o lugar de seu pai no reino - que sofrera um acidente aéreo e está em coma. Do dia para a noite, sua viagem romântica com Alex em lindas praias brasileiras se torna uma vaga lembrança. Ana precisa voltar para Krósvia imediatamente. Como sucessora de Andrej, todos esperam que ela exerça a função de cuidar do país. Para isso, uma equipe é reunida para assessorar a princesa e sua agenda vira uma loucura. O problema é que ela não conhece bem as leis krosvianas e não sabe como emitir uma opinião. Logo, Ana fica vulnerável e se torna um verdadeiro alvo de conspirações.

Eu gostei do gancho para a sequência. Foi um boa ideia colocar Ana à frente das questões governamentais do país. Deu uma sacudida na vida dela. No entanto, o lado negativo é que o livro ficou focado na política e nossa protagonista - formada em Direito - não sabia nada das leis da Krósvia. A Ana estava completamente perdida, alheia à gravidade da situação e determinada a agir como uma garota entediada que não dá a mínima para o que está acontecendo. Se em algum momento a leitura não fluiu como gostaria, foi por causa disso.

Paralelamente, seu relacionamento com Alex fica negligenciado. Isso porque os compromissos do dia acabam ocupando muito espaço e mal sobra tempo para o namorado, amigos e família. Para piorar, Alex não fala em casamento e Ana quer oficializar a união. Mas apesar do avanço da relação, a princesa não deixa a insegurança de lado, enquanto Alex anda mandão e grosseiro. Senti falta de romantismo e justificativas fundamentadas para gerar conflitos entre o casal - o que acaba tornando a sequência previsível e até desnecessária.

Mas, de modo geral, eu curti o livro. A escrita da Marina continua maravilhosa e por isso as falhas alcançam uma proporção menor. Ela realmente tem um talento especial para se comunicar com o público jovem. E o lado bom disso tudo é reencontrar os personagens, né?

* A continuação desse volume é um spin-off que se chama ELENA, A FILHA DA PRINCESA, publicado pela editora Galera Record.

25 de agosto de 2016

Pureza (de José Lins do Rego)

Lourenço é um rapaz atormentado pelos fantasmas do passado que, depois de ficar órfão, manteve-se sob os zelos de Felismina, a antiga criada da casa. Desde cedo, perdera a mãe e a irmã para a tuberculose; logo, o pai assegurara de cuidar do filho com uma dedicação extrema. O garoto mal teve contato com as pessoas e com a natureza; crescera sem amigos, sem passatempos, sem romances. .

Porém, no auge da juventude, Lourenço cisma que está doente. Fica preocupado, inquieto e não sossega até visitar o médico da família. É quando sai do consultório com o conselho de viajar para um lugar tranquilo, distante da agitação da cidade. Tudo não passaria de uma crise nervosa, que poderia ser curada com novos ares.

Assim, o rapaz faz as malas e desembarca com Felismina em Pureza, um povoado longe de tudo, quase primitivo. À princípio, as angústias de Lourenço parecem se multiplicar com o isolamento. Ele continua um mero observador, alheio às pessoas e à vida. Mas, com o tempo, aquele simples vilarejo acaba se revelando para o jovem um mundo que ele nem sequer sabia que existia.

O que mais impressiona no livro é a composição do enredo. No começo, temos a impressão de que será mais uma história trivial. Os personagens vivem ali, reclusos em um povoado sem muita perspectiva e parecem levar a vida sem nenhuma preocupação. Lourenço até sente inveja de um povo que passa o dia no sol e na chuva sem adoecer. Mas, quando menos se espera, a trama ganha magnitude, se mostra complexa, realista.

Aos poucos, aquele vilarejo esquecido no meio do nada, aparentemente inofensivo, vai apresentando ao jovem suas misérias: a decadência dos grandes engenhos, a pobreza, a fome. Os personagens vão mostrando suas fraquezas, seus defeitos e subterfúgios. Ao contrário de outros livros, o amor não é protagonista na trama e sim o sexo. O objetivo é saciar o desejo, satisfazer as próprias vontades. Nada mais nada menos que uma "válvula de escape".

Em resumo, Pureza é um livro esteticamente simples, mas crítico. E a linguagem e os costumes regionais aproximam o leitor do enredo, de modo que a história acaba fluindo. Mas, vale ressaltar que a narrativa introspectiva e o caráter fortemente psicológico poderão não agradar todos os leitores. No mais, é uma obra para refletir.